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Projeto Grupo Recomeçar

“O grupo preside a existência do seu despertar ao seu acaso, a pessoa humana é necessariamente um ser de relação.É na relação, no contato, no encontro que ela se transforma e se humaniza.” (Jorge P. Ribeiro)

 

Projeto: Grupo Recomeçar

 

 

I – Justificativa:

 

 

A preocupação com o uso exagerado do álcool e outras drogas, evidenciado nas últimas décadas vem mobilizando profissionais das mais diferentes áreas de atuação para o trabalho dos prevenção e tratamento da dependência química.

 

Trabalhar no sentido de prevenir o uso das drogas e tratar suas consequências é um desafio das equipes multidisciplinares que se dedicam a esse tema em todo o país.

 

Segundo o Clínico Geral Dr. Luis Texeira, diretor Clinico da Vila Serena, um Centro de Recuperação para Tratamento de Dependência Química, alerta que o usuário de múltiplas drogas está cada vez mais comum, em nossa capital. Das drogas ilícitas consumidas na capital cearense, uma das mais destrutivas é o crack e a mais comum é a a maconha que funciona como porta de entrada para as outras, seguida da cocaína e do crack. E a droga mais consumida é o álcool. Apesar de lícita, a longo prazo, está entre as mais destrutivas.

 

O elenco de doenças que o álcool pode provocar é bastante extenso. Entre elas estão cirrose hepática, gastrite, úlceras, pancreatites, cânceres: de boca, de esôfago, de intestino e de fígado. Há as drogas lícitas com o uso ilícitos, os psicotropicos, onde o usuário nesse caso, toma mais comprimidos que o recomendável, extrapolando o padrão de prescrição médica.

 

Independente da droga ser lícita ou ilícita, de ser fumo e bebida alcoolíca ou crack e cocaína, o organismo do usuário sempre é agredido quando ele faz uso. Os transtornos e as alterações orgânicas decorrentes do uso de entorpecentes variam de pessoa para pessoa, mas geralmente são baixa da imunidade, disturbios emocionais severos, irritabilidade, impaciência e agressividade. A cocaína causa também arritmia Cardiaca temporária ou severa, levando a convulsões e perda da consciências. “(DN – Caderno Cidade pg 15 – 04/09/2006)”.

 

Realidade esta que não diverge do contexto da Corporação Policia Militar, sendo percebido pela autora, o aumento da demanda de Policiais Militares usuários de drogas lícitas e ilícitas, que procuram o Serviço Social do SAS ( Serviço de Assistência Social/ PMCe); algumas vezes acompanhados pelo CMT ou Sub CMT da SUOP a qual está lotado: o próprio tornando- se cotidiano a família (pais já idosos, esposas, companheiras, filhos adultos) solicitando auxílio para internamento do Policial Militar frente aos sentimentos de angústia, vergonha, mêdo quando ocorre o uso de atitudes agressivas decorrente da dependencia. Ao retratar a imagem da autoridade sofrendo a destruição do organismo, consumindo-se nas drogas e muitas vezes indo para a marginalidade a única maneira de manter o vício, perdendo assim o respeito por si mesmo e por sua família.

 

 

 

Também foi detectado, junto ao PRORAP – Programa de Ressocialização do PM Apenado, criado e coordenado pela subscrita, que um dos grandes motivos causadores que tem levado o Policial Militar a responder por infração considerada Crime Militar- a deserção e comportamentos inadequados; o grande causador recaí na dependência química, pois de cada dez Policiais Militares da Ativa entrevistados para acompanhamento social do PRORAP, oito foram recolhidos no Presídio Militar ocasionados pelo vício e já tem histórico de recaídas com o mesmo relato, seja da capital ou do interior do Estado.

 

O Serviço de Assistência Social entendendo a necessidade de auxíliar na questão de saúde e promoção de qualidade de vida; propõe a criação do Grupo Recomeçar dentro do (Programa de Orientação e Recuperação para dependentes químicos) fundamentando suas atividades no ECRO (Esquema Conceitual Referencial e Operativo) de Enrique Pichon Rivieré; ou seja “numa relação grupal cada um tem um papel, uma função particular onde cada um tenta se fazer chegar na outra, depositando expectativas um no outro, através de mensagens”. Esse ECRO é um sistema aberto não somente ao dialógo com outras produções teóricas, mas também aberto à práxis. Pretende-se criar um grupo semi-aberto, onde as pessoas entram para ficar, para fazer seu tratamento, sabem da regra da pontualidade da frequência, mas de quando em quando, alguém abandona o grupo tem alta, etc...

 

Segundo Ponciano “ o grupo ensina as pessoas a serem humildes diante da própria grandeza e a dos outros, pois o dado inclui e revela o próprio mistério, revela a facticidade e nos permite usar adequadamente os próprios adjetivos. (1994: 50)”.

 

O grupo Recomeçar esta destinado para a Polícial Militar e seus familiares que necessitam de atendimento e se dispõem a deixar o uso de substâncias psicoativos, onde as atividades grupais ocorrerão todas as 5ª feiras no Auditório da Banda de Música este funcionando no 5º Batalhão Policial Militar no horário das 08h00 às 09h00 horas.

 

 

II- Objetivo do Grupo Recomeçar:

 

 

  • Prestar assistência à saúde dos Policiais Militares usuários de álcool e drogas e aos seus familiares;

     

  • Desenvolver atividades teraupêuticas em grupo e/ou individualmente;

     

  • Promover informação técnica e adequada sobre os vários tipos de drogas;

  • Encaminhar usuários de drogas para intervenção em clínicas ou comunidades terapêuticas quando for o caso;

  • Oferecer uma referencia institucional para o usuário de drogas e sua família;

 

 

 

III- Público Alvo:

 

 

  • Policiais Militares da ativa e da reserva e seus familiares que se dispõem a deixar o uso de substãncias psicoativas.

     

 

IV- Atividades do Grupo:

 

 

  • Triagem;

  • Atendimento individual e grupal;

  • Visita domiciliar;

  • Visita hospitalar;

  • Entendimento com centro de recuperação para dependentes químicos, e com os Comandantes de Cia;

     

     

a) Os atendimentos individuais são encontros com o Assistente Social e com o Psicológo, acontecendo uma vez por semana.

 

b) Os atendimentos em grupo também ocorrerão uma vez por semana e serão divididos entre:

 

b-1) Grupo de usuários;

b-2) Grupo de familiares;

b-3) Grupo de auto-conhecimento;

b-4) Grupo de adolescentes.

 

 

V- Corpo Técnico do Grupo:

 

 

1- Coordenador Técnico – Assistente Social;

1- Psicológa;

1- Conselheiro em Dependência Química;

1- Membro do A.A;

1- Arte-Terapeuta;

1- Pessoa de Apoio;

1- Psiquiatra.

 

 

VI – Adesão ao Grupo:

 

Para que seja considerada a adesão ao tratamento o Policial Militar deve comparecer semanalmente ao SAS (Serviço de Assistência Social) para atendimento individual e para a reunião do grupo.

 

O comparecimento assiduo ao grupo e a constância nos atendimentos individuais são fatores de sucesso no tratamento.

 

 

VII – Considerações Finais:

 

 

Em suma, o uso de álcool e outras substâncias psiquicoativas aparece em local de trabalho deve-se, estar atento e aceitar o que este fato denuncia, pois ainda que não seja responsabilidade única da Instituição, torna-se imprescidivel que se analise suas origens e as formas mais adequadas de intervenção terapêutica.

 

 

 

 

 

 

Maria Girlane Nobre de Souza

Assistente Social

CRESS 1503

Especializada em Gerontologia Social

Psicopedagogia e Dinâmicas Grupais

e Relações Humanas

 

 

 

 

 

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