Projeto: Grupo
Recomeçar
I –
Justificativa:
A preocupação com o uso exagerado do
álcool e outras drogas, evidenciado nas últimas décadas vem mobilizando
profissionais das mais diferentes áreas de atuação para o trabalho dos
prevenção e tratamento da dependência química.
Trabalhar no sentido de prevenir o uso
das drogas e tratar suas consequências é um desafio das equipes
multidisciplinares que se dedicam a esse tema em todo o país.
Segundo o Clínico Geral Dr. Luis
Texeira, diretor Clinico da Vila Serena, um Centro de Recuperação para
Tratamento de Dependência Química, alerta que o usuário de múltiplas
drogas está cada vez mais comum, em nossa capital. Das drogas ilícitas
consumidas na capital cearense, uma das mais destrutivas é o crack e a
mais comum é a a maconha que funciona como porta de entrada para as
outras, seguida da cocaína e do crack. E a droga mais consumida é o
álcool. Apesar de lícita, a longo prazo, está entre as mais
destrutivas.
O elenco de doenças que o álcool pode
provocar é bastante extenso. Entre elas estão cirrose hepática,
gastrite, úlceras, pancreatites, cânceres: de boca, de esôfago, de
intestino e de fígado. Há as drogas lícitas com o uso ilícitos, os
psicotropicos, onde o usuário nesse caso, toma mais comprimidos que o
recomendável, extrapolando o padrão de prescrição médica.
Independente da droga ser lícita ou
ilícita, de ser fumo e bebida alcoolíca ou crack e cocaína, o organismo
do usuário sempre é agredido quando ele faz uso. Os transtornos e as
alterações orgânicas decorrentes do uso de entorpecentes variam de
pessoa para pessoa, mas geralmente são baixa da imunidade, disturbios
emocionais severos, irritabilidade, impaciência e agressividade. A
cocaína causa também arritmia Cardiaca temporária ou severa, levando a
convulsões e perda da consciências. “(DN – Caderno Cidade pg 15 –
04/09/2006)”.
Realidade esta que não diverge do
contexto da Corporação Policia Militar, sendo percebido pela autora, o
aumento da demanda de Policiais Militares usuários de drogas lícitas e
ilícitas, que procuram o Serviço Social do SAS ( Serviço de Assistência
Social/ PMCe); algumas vezes acompanhados pelo CMT ou Sub CMT da SUOP a
qual está lotado: o próprio tornando- se cotidiano a família (pais já
idosos, esposas, companheiras, filhos adultos) solicitando auxílio para
internamento do Policial Militar frente aos sentimentos de angústia,
vergonha, mêdo quando ocorre o uso de atitudes agressivas decorrente da
dependencia. Ao retratar a imagem da autoridade sofrendo a destruição
do organismo, consumindo-se nas drogas e muitas vezes indo para a
marginalidade a única maneira de manter o vício, perdendo assim o
respeito por si mesmo e por sua família.
Também foi detectado, junto ao PRORAP –
Programa de Ressocialização do PM Apenado, criado e coordenado pela
subscrita, que um dos grandes motivos causadores que tem levado o
Policial Militar a responder por infração considerada Crime Militar- a
deserção e comportamentos inadequados; o grande causador recaí na
dependência química, pois de cada dez Policiais Militares da Ativa
entrevistados para acompanhamento social do PRORAP, oito foram
recolhidos no Presídio Militar ocasionados pelo vício e já tem
histórico de recaídas com o mesmo relato, seja da capital ou do
interior do Estado.
O Serviço de Assistência Social
entendendo a necessidade de auxíliar na questão de saúde e promoção de
qualidade de vida; propõe a criação do Grupo Recomeçar dentro do
(Programa de Orientação e Recuperação para dependentes químicos)
fundamentando suas atividades no ECRO (Esquema Conceitual Referencial e
Operativo) de Enrique Pichon Rivieré; ou seja “numa relação grupal cada
um tem um papel, uma função particular onde cada um tenta se fazer
chegar na outra, depositando expectativas um no outro, através de
mensagens”. Esse ECRO é um sistema aberto não somente ao dialógo com
outras produções teóricas, mas também aberto à práxis. Pretende-se
criar um grupo semi-aberto, onde as pessoas entram para ficar, para
fazer seu tratamento, sabem da regra da pontualidade da frequência, mas
de quando em quando, alguém abandona o grupo tem alta, etc...
Segundo Ponciano “ o grupo ensina as
pessoas a serem humildes diante da própria grandeza e a dos outros,
pois o dado inclui e revela o próprio mistério, revela a facticidade e
nos permite usar adequadamente os próprios adjetivos. (1994: 50)”.
O grupo Recomeçar esta destinado para a
Polícial Militar e seus familiares que necessitam de atendimento e se
dispõem a deixar o uso de substâncias psicoativos, onde as atividades
grupais ocorrerão todas as 5ª feiras no Auditório da Banda de Música
este funcionando no 5º Batalhão Policial Militar no horário das 08h00
às 09h00 horas.
II- Objetivo do Grupo
Recomeçar:
-
Prestar assistência à saúde dos
Policiais Militares usuários de álcool e drogas e aos seus
familiares;
-
Desenvolver atividades teraupêuticas em
grupo e/ou individualmente;
-
Promover informação técnica e adequada
sobre os vários tipos de drogas;
-
Encaminhar usuários de drogas para
intervenção em clínicas ou comunidades terapêuticas quando for o
caso;
-
Oferecer uma referencia institucional
para o usuário de drogas e sua família;
III- Público
Alvo:
IV- Atividades do
Grupo:
-
Triagem;
-
Atendimento individual e grupal;
-
Visita domiciliar;
-
Visita hospitalar;
-
Entendimento com centro de recuperação
para dependentes químicos, e com os Comandantes de Cia;
a) Os atendimentos individuais são
encontros com o Assistente Social e com o Psicológo, acontecendo uma
vez por semana.
b) Os atendimentos em grupo também
ocorrerão uma vez por semana e serão divididos entre:
b-1) Grupo de usuários;
b-2) Grupo de familiares;
b-3) Grupo de auto-conhecimento;
b-4) Grupo de adolescentes.
V- Corpo Técnico do
Grupo:
1- Coordenador Técnico – Assistente
Social;
1- Psicológa;
1- Conselheiro em Dependência
Química;
1- Membro do A.A;
1- Arte-Terapeuta;
1- Pessoa de Apoio;
1- Psiquiatra.
VI – Adesão ao
Grupo:
Para que seja considerada a adesão ao
tratamento o Policial Militar deve comparecer semanalmente ao SAS
(Serviço de Assistência Social) para atendimento individual e para a
reunião do grupo.
O comparecimento assiduo ao grupo e a
constância nos atendimentos individuais são fatores de sucesso no
tratamento.
VII – Considerações
Finais:
Em suma, o uso de álcool e outras
substâncias psiquicoativas aparece em local de trabalho deve-se, estar
atento e aceitar o que este fato denuncia, pois ainda que não seja
responsabilidade única da Instituição, torna-se imprescidivel que se
analise suas origens e as formas mais adequadas de intervenção
terapêutica.
Maria Girlane Nobre de Souza
Assistente Social
CRESS 1503
Especializada em Gerontologia Social
Psicopedagogia e Dinâmicas Grupais
e Relações Humanas