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Alunos do Colégio da PMCE desenvolvem projeto "Astronomia para Deficientes Visuais" e colocam em prática nesta tarde (18)
Ter, 18 de Outubro de 2016 19:52


“É uma experiência única poder passar toda essa informação e ver o pessoal empolgado. É muito lindo”. A declaração da adolescente Marília Sousa Bucar Paz (15) é sobre o projeto “Astronomia para Deficientes Visuais”, desenvolvido por estudantes do Colégio da Polícia Militar do Ceará General Edgard Facó (CPMGEF). Marília é um dos nove estudantes responsáveis pelo trabalho que foi colocado em prática, na tarde desta terça-feira (18), no Instituto Doutor Hélio Goes, que assiste estudantes com deficiência visual em sistema de escola regular.

Fazer com que deficientes visuais conheçam o universo e saibam o que é astronomia é o objetivo da equipe formada por Marília Sousa Bucar Paz (15), João Matheus de Lima Queiroz (17), Beatriz Oliveira de Sousa (17), Luiz Fernando Cardoso de Souza (16), Jefferson Brenno da Silva Eugênio (18), Douglas Mendes Baracho (18), Ruan de Sousa Montenegro (16), Pedro Ricardo dos Santos de Jesus (16) e Karen Helen Rodrigues Carneiro (16). Eles fazem parte da turma do 2º Ano do Ensino Médio do Colégio da PMCE.

A atividadedos alunos, elaborada em duas semanas,recebeu a orientação do professor Luciano Santos Lima, da disciplina de física. Ele lançou a proposta de trabalhar a ciência com deficientes visuais em sala de aula. “A ideia surgiu a partir do trabalho de mestrado, de ciência acessível para todo tipo de dificuldade de aprendizado”, explica o educador. A temática foi exposta aos alunos durante os preparativos da semana cultural do CPMGEF, que será realizada entre os dias 24e 28 deste mês.



Papelão, isopor, pedaços de tecido, barbante, cola e latinhas de refrigerante. Estes são alguns dos materiais utilizados pelos estudantes para reproduzir o Sol, a Lua os planetas e todo o universo. “Como será a astronomia para uma pessoa com deficiência? Para nós, é tudo muito visual. Esse projeto é interessante, porque possibilita a aprendizagem com outros sentidos, como o tato”, avalia Karen Helen. Por aproximadamente quatro horas, crianças e adolescentes com idades e graus de cegueira variados puderam apalpar os planetas feitos com objetos reutilizáveis e comparar o tamanho deles com o do Sol. A estrutura de isopor com papel em alto relevo permitiu que as mãos dos alunos sentissem como é a superfície da Lua e dos planetas.

Um dos contemplados com a apresentação foi Juan Pablo Fernandes Cruz (14), com deficiência visual e estudante do 6º ano doInstituto. “Esse momento é muito interessante, porque a gente consegue perceber como funciona o universo. Por mais que os professores tentassem nos explicar, não iríamos ter condições de saber como isso funciona”, comemora o garoto, ao falar que aproveitou o momento para tirar dúvidas sobre a gravidade. Assim como Juan, outros estudantes aproveitaram a oportunidade para se aventurar pelo universo com o tato bem aguçado. Enquanto eles apalpavam os objetos, os alunos do CPMGEF descreviam a esfera e narravam com explicações científicas.



O projeto Astronomia para Deficientes Visuais não para por aí. “É um trabalho que está começando agora, mas vamos fazer algo mais elaborado e procurar expandir para todo o Estado ou todo o Brasil, quem sabe”, projeta o professor Luciano, ao revelar que seus planos para a turma e para o Colégio da PMCE vão além dos limites da sala de aula. E foi o que os nove alunos do trabalho fizeram. “Eles me surpreenderam, foram além de buscar notas”, revela o educador, que pretende apresentar o trabalho na Feira Estadual de Ciências do Ceará.



No lugar do outro
Antes de começarem as apresentações, os alunos, juntamente com o professor Luciano, foram levados por educadores do Instituto para uma sala totalmente escura e com objetos variados. O intuito foi fazer com que os estudantes percebessem como as pessoas com deficiência visual usam os outros sentidos e quais suas necessidades. “É uma situação de medo. Talvez tenha sido a pior experiência da minha vida”, relatou uma das alunas. O depoimento de Marília, sobre achar linda a empolgação dos deficientes visuais por astronomia, foi dado após ela passar pela sala escura. A garota se colocou no lugar dos alunos e percebeu suas necessidades. “Isso também é o resultado do nosso trabalho. Uma troca de experiências”, declarou, emocionada.

Marília e Ruan são dois dos estudantes que possuem a patente de major da turma. Já Karen é tenente coronel do 2º Ano. Para alcançar os títulos, os alunos precisam ter boas notas e bom comportamento. No caso, Karen é a única tenente coronel de sua série, sendo a aluna que mais se destaca. Na família, as patentes dos adolescentes são motivo de orgulho e alegria para os pais. “Eles brincam muito. Meu pai é subtenente da PM e eu já sou major”, brinca Marília.

O instituto
O Instituto Doutor Hélio Goes funciona da educação infantil ao ensino fundamental, com alunos com idades entre três e 90 anos. São pessoas com deficiências variadas nos olhos, ocasionadas por motivos diversos. Atualmente, o Instituto possui, em média, 300 alunos. Os professores da Instituição passam por formação dentro da deficiência visual. “Nós ficamos muito felizes em ver o trabalho dos meninos, por se tratar de uma disciplina que não é fácil de explicar, que é a física”, declara a diretora da escola, Luiza Emília Soares (50).

O local ainda oferece alimentação para os estudantes e é mantido por doações. “Que as pessoas venham conhecer nosso trabalho”, convida a diretora. As visitas ao Instituto ocorrem durante as quartas-feiras. Para agendamento e mais informações, o telefone para contato é 3206-6840.


Fonte: SSPDS

 

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